Ácido fólico pode diminuir risco de malformação congênita

Durante o VI Congresso da Sogesp (Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo), realizado no mês de novembro, o pesquisador húngaro Andrew E. Czeizel ministrou conferência sobre novas perspectivas de suplementação vitamínica na gestação. Em pesquisa recente Czeizel conseguiu provar a eficácia do ácido fólico na prevenção de defeitos do tubo neural. Sua pesquisa rendeu o Prêmio Internacional de Pesquisa Científica da Fundação Joseph P. Kennedy Jr. (EUA), instituído em 1962 e entregue ao pesquisador húngaro, durante o 11º Congresso Mundial Intellectual Association of the Scientific Study of Intellectual Disabilities. A distinção é oferecida, a cada cinco anos, aos cientistas que contribuíram de forma relevante na melhoria ou na prevenção de doenças congênitas.

A experiência, desenvolvida na Hungria, é considerada ponto de referência decisivo na área de prevenção de defeitos do tubo neural. Realizado com quase 5.500 gestantes, o estudo conclui que o uso de suplemento vitamínico, contendo 0,8 mg de ácido fólico, reduz o aparecimento de bebês com malformação do tubo neural, assim como do trato urinário e do sistema cardiovascular, além de diminuir os sintomas de enjôos, náuseas e vômitos durante o primeiro trimestre de gravidez. Também restringe a incidência de partos prematuros e melhora a qualidade do leite materno. De acordo com as pesquisas nacionais, em média, a cada 700 crianças que nascem no Brasil, uma apresenta defeitos congênitos. Entre elas estão a espinha bífida (defeitos na coluna vertebral) e a anencefalia (falha no desenvolvimento do cérebro), que leva a criança à morte. "Os dados disponíveis na literatura comprovam que a ingestão de ácido fólico apenas na dieta alimentar não reduz os riscos de defeitos. Já os suplementos são comprovadamente mais eficientes", garantiu o pesquisador, que é integrante do Centro Colaborador para o Controle de Enfermidades Hereditárias da Organização Mundial de Saúde da Hungria. Ele citou estimativa norte-americana que aponta para uma diminuição significativa em gastos hospitalares se todas as gestantes recebessem suplementação. "As vitaminas do Complexo B desempenham papel fundamental no metabolismo das células do nosso organismo. Há evidências de que baixos níveis de ácido fólico, vitamina B6 e vitamina B12, representam um fator de risco para o aparecimento de doenças cardiovasculares", concluiu Czeizel.
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